Esquadra reunida pelo rei Filipe II em 1588 na tentativa de pôr fim à sua guerra contra a Inglaterra. A Batalha de Gravelines foi a maior batalha da Guerra Anglo-Espanhola e a tentativa de Filipe II de Espanha se impor a nível mundial no domínio dos mares.
A Invencível Armada era composta de cento e trinta navios bem artilhados carregando 30 000 homens. No comando, o Duque de Medina-Sidonia seguia num galeão português, o São Martinho. A esta altura Filipe II já era rei de Portugal, pelo que alguns dos navios utilizados faziam parte da frota portuguesa. Um dos principais esquadrões de batalha era chamado de "Esquadra Portugal", tendo alguns dos melhores galeões de guerra do mundo. Grande parte dos pilotos, marinheiros e soldados da Invencível Armada eram portugueses, apesar de serem comandados por espanhóis. Tal facto gerou controvérsia na altura, dado que os portugueses, de certo modo, não se sentiam à vontade a combater em navios do seu país e serem comandados por espanhóis, alegando uma certa ignorância dos capitães da Armada espanhóis quanto às artes da guerra no mar. Os ingleses, pelo seu lado, conseguiram tomar maior proveito dos seus navios de guerra. Cada esquadra era comandada de acordo com a nacionalidade dos capitães, homens e navios. Desta forma, evitavam-se motins ou outras acções de insurreição.
Antecedentes
A pretensão do rei de Espanha ao domínio dos oceanos encontrava um obstáculo crescente: o poderio da marinha inglesa. Os corsáriosingleses davam caça aos galeões espanhóis no Atlântico e no Pacífico. Foi durante estas lutas que Sir Francis Drake se notabilizou. Regressava à Inglaterra carregado de grandes tesouros depois de ter incursado numa viagem de circunavegação. Elizabeth I aceitava serenamente os protestos espanhóis bem como a sua parte dos saques, já que a guerra dos "aventureiros mercadores", como eram designados os corsários na Inglaterra, era feita com o apoio da coroa.
Entretanto, questões religiosas agravavam a rivalidade entre as duas nações: Filipe II apoiava activamente a causa católica e conspirava na Inglaterra para colocar Mary Stuart, rainha de Escócia, católica, no trono britânico pois Elizabeth I apoiava a causa protestante e, assim, também os inimigos de Espanha. Foi precisamente a execução de Mary Stuart que serviu de motivo para a guerra aberta entre os dois países.
Filipe II decidiu então concentrar uma gigantesca frota no estuário do Tejo para a invasão. Aproximadamente um terço desta frota (43 navios) era portuguesa.
O confronto
A "Invencível Armada" saiu de Lisboa a 28 de Maio de 1588, com 130 barcos, 8 mil marinheiros e 18 mil soldados. O plano era destruir a frota inglesa que guardava o Canal da Mancha e posteriormente escoltar a Londres o exército do Duque de Parma, de 30 mil soldados, que aguardava nos Países Baixos Espanhóis.
Só após 15 dias os espanhóis conseguiram avistar a Inglaterra. Durante este tempo, a falta de vento na costa portuguesa e uma tempestade junto ao cabo Fisterra, separou a Armada. Durante alguns dias, em pleno Canal da Mancha, as frotas estudaram-se uma à outra sem atacar, atracando a esquadra espanhola em Calais. Os ingleses, comandados pelo célebre corsário Sir Francis Drake, mantinham-se imediatamente atrás deles, a pouca distância. Às duas da manhã da segunda-feira seguinte preparava o Conselho de Guerra inglês seis urcas velhas — osnavios de fogo — que abarrotou de combustível e enviou para o seio da esquadra espanhola, cada uma com seu piloto, que as iriam dirigir, com o auxílio da maré. Uma vez bem próximo do centro da esquadra eram ateadas as barcas, fugindo os pilotos nos seus batéis.
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