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sábado, 14 de maio de 2011

Ação Libertadora Nacional

Organização guerrilheira, revolucionária brasileira de tendência comunista que empreendeu luta contra a ditadura militar no Brasil (1964-1985).

História

O grupo surgiu no fim de 1966, com a saída de Carlos Marighella do Partido Comunista do Brasil (ex-PCB), após sua participação na conferência da Organização Latino-Americana de Solidariedade(OLAS) em Havana (Cuba).
Para Luís Maklouf Carvalho, a ALN era a a organização mais estruturada da guerrilha urbana, sendo também aquela onde a quantidade de mulheres a ela vinculada era proporcionalmente maior do que em outras organizações.[1]
Em seu programa de ação a Ação Libertadora Nacional audodefinia-se da seguinte forma: Todos nós somos guerrilheiros e não homens que dependem de votos de outros revolucionários ou de quem quer que seja para se desempenharem do dever de fazer a revolução. O centralismo democrático não se aplica a Organizações revolucionárias como a nossa.[2]
Segundo pesquisadores e militantes de esquerda, como Nilmário Miranda e Carlos Tibúrcio (ambos ex-guerrilheiros), a ALN tinha a proposta de uma ação objetiva e imediata contra a ditaduramilitar,[3][4][5] defendendo a luta armada e a guerrilha como instrumento de ação política.
Em declaração ao jornalista Elio Gaspari, segundo Daniel Aarão Reis, ex-militante do MR-8, professor de história contemporânea da Universidade Federal Fluminense e autor de Ditadura Militar, Esquerda e Sociedade, disse:
Ao longo do processo de radicalização iniciado em 1961, o projeto das organizações de esquerda que defendiam a luta armada era revolucionário, ofensivo e ditatorial. Pretendia-se implantar uma ditadura revolucionária. Não existe um só documento dessas organizações em que elas se apresentassem como instrumento da resistência democrática.[6]
Também segundo Jarbas Passarinho, político e militar de direita, ministro do governo Médici e um dos participantes da reunião governamental que decidiu pela instituição do AI-5, o objetivo da ALN era a construção de uma ditadura de esquerda (socialista).[7]
A dissidência formada ao redor de Marighella denominou-se Agrupamento Comunista de São Paulo (ou "Ala Marighella"), enquanto arregimentava mais militantes que saíam do chamado Partidão (PCB). Só em 1968 passou a se chamar ALN, como expressão da proposta de libertação nacional de seu líder e ideólogo.
Em 1967, a ALN iniciou ações para sua estruturação, como assaltos a bancos, expropriações de carros pagadores e outras. Em seus melhores momentos, tinha nos estudantes a maioria de seus militantes, que foram a linha de frente da organização. Dos quatro sequestros realizados no País, participou de dois. O primeiro, junto com o MR-8, foi o do embaixador norte americano Charles Burke Elbrick, em setembro de 1969, que conseguiu a libertação de 15 presos políticos. O outro foi o do embaixador alemão Ehrefried Von Holleben, que libertou 40 presos políticos e como o primeiro teve grande destaque na imprensa, divulgando a sigla da organização e a idéia da luta armada.
Marighella foi morto em uma emboscada montada pelo delegado Sérgio Paranhos Fleury, no dia 4 de novembro de 1969, em São Paulo, na alameda Casa Branca.[8] Joaquim Câmara Ferreira (o "Velho" ou "Toledo"), jornalista e ex-membro do PCB desde a década de quarenta, dirigiu a ALN a partir daí até sua morte em 23 de outubro de 1970, delatado por José Silva Tavares, o "Severino", que teria sido torturado após ser preso. Joaquim Câmara foi torturado até a morte pelo Delegado Fleury e membros de sua equipe.
Em 1970, Eduardo Collen Leite (codinome Bacuri), um importante membro da ALN, foi preso pela equipe do delegado Fleury. Bacuri morreu após 109 dias de tortura, totalmente mutilado.[9]. Pouco tempo antes, em 11 de junho de 1970, Collen Leite foi o responsável direto pelo assassinado seu companheiro de grupo Ari Rocha Miranda.
Em 1971, um grupo de dissidentes que havia efetuado treinamento de guerrilha em Cuba, criou o Movimento de Libertação Popular (Molipo). A maior parte de seus militantes de linha de frente foi morta até 1974 e depois disso a ALN apenas sobreviveu ao cerco montado pela repressão.
Em 5 de fevereiro de 1972 militantes da ALN, VAR-Palmares e PCBR,[10] assassinaram a tiros o marinheiro inglês David Cuthberg, que se encontrava no país juntamente com uma força-tarefa daMarinha Britânica para as comemorações dos 150 anos de independência do Brasil. Após o atentado foram arremessados dentro do táxi onde ele se encontrava panfletos que informavam que o ato teria sido decisão de um "tribunal", como forma de solidariedade à luta do Exército Republicano Irlandês contra o domínio inglês.[11]
O único comandante da ALN ainda vivo é Carlos Eugênio Paz, conhecido por Clemente nos tempos de guerrilha. Carlos Eugênio entrou para a ALN aos 17 anos e participou de diversas ações visando o combate a ditadura. Por ser o homem mais procurado pela repressão ele se exilou na França em 1973. Viveu por lá até 1981. Até outubro de 2009, havia publicado os livros "Nas trilhas da ALN" e "Viagem à Luta Armada".
A ALN constantemente disseminava para a população seus ideais de luta contra a ditadura militar e pela instalação de um regime socialista no Brasil por meio de panfletagem e discursos.

[editar]As dissidências da ALN

Em 1971 surgem duas dissidências da ALN que teriam vida efêmera e contigentes reduzidos: o Movimento de Libertação Popular (Molipo)[3] e a Tendência Leninista (TL).
O Molipo, por sua vez, foi extinto com a prisão ou com a execução sumária ou sob torturas da maioria de seus membros, entre os quais destacaram-se líderes estudantis paulistas como Antonio Benetazzo, José Roberto Arantes de Almeida e Jeová Assis Gomes.

Vanguarda Popular Revolucionária


Organização de luta armada brasileira de extrema esquerda que lutou contra o regime militar de 1964 no Brasil visando à instauração de uma ditadura de cunho socialista no país, formou-se em 1966 a partir da união dos dissidentes da organização Política Operária (POLOP) com militares remanescentes do Movimento Nacionalista Revolucionário (MNR).
Na visão de Élio Gaspari, a organização utilizava táticas de guerrilha urbana e de terrorismo[1], tendo como objetivo a derrubada da ditadura militar e a instalação de um regime socialista, segundos os moldes marxistas-leninistas no Brasil[2].

História

De sua fusão com o Comando de Libertação Nacional (Colina), deu origem à VAR-Palmares (em homenagem ao Quilombo dos Palmares). A VPR se recompôs posteriormente, deixando a VAR-Palmares e, em 1970, passando a organizar um campo de treinamento de guerrilheiros no vale do Ribeira.
Em 1970 começou a organizar um campo de treinamento de guerrilheiros no vale do Ribeira. A segunda área utilizada com este propósito (a primeira foi abandonada por inadequação) acabou sendo descoberta pelo DOI-Codi/RJ, seguindo-se uma caçada que mobilizou cerca de 5 mil militares.

[editar]Dissolução

A VPR optou pela auto-dissolução em 1971, após a morte de José Raimundo da Costa, ultimo comandante da VPR, cuja a localização foi indicada por Cabo Anselmo, um agente do DOPS infiltrado.

[editar]Ações

Para financiar a luta contra a ditadura militar brasileira, a VPR promovia assaltos armados e roubos de banco.
Membros da VPR, constantemente faziam trabalho de divulgação e conscientização da população com o intuito de mostrar os males que a Ditadura causara ao país.
A organização participou de assaltos e do seqüestro do embaixador suíço, Giovanni Enrico Bucher, em Dezembro de 1970, e também foi responsável pelo sequestro do consul-geral do Japão em São Paulo, Nobuo Okuchi, em Março daquele ano. Esses sequestros ocorreram com o intuito de libertar presos políticos.

Movimento Revolucionário Oito de Outubro


Organização brasileira de esquerda que participou do combate armado ao regime militar e tinha como objetivo a instalação de um Estado socialista no Brasil. Seu nome lembra a data em que foi capturado pela CIA, na Bolívia, o guerrilheiro argentino Ernesto "Che" Guevara. Houve um grupo anterior que tinha esse nome, mas foi totalmente capturado pela ditadura militar, quando então a Dissidência da Guanabara resolveu, também homenageando Che Guevara, alterar seu nome para o atual.

[editar]História

Conhecido inicialmente como "DI da Guanabara" (DI-GB), ou Dissidência da Guanabara do PCB, o grupo atuava desde 1966 no meio universitário. O nome MR8 foi adotado a partir do sequestro do embaixador dos Estados Unidos da América, Charles Burke Elbrick, em setembro de 1969, realizado em conjunto com outro grupo revolucionário, a Ação Libertadora Nacional (ALN).
O sequestro do embaixador Elbrick foi narrado no livro O Que É Isso, Companheiro?, de autoria de Fernando Gabeira, um dos sequestradores. O livro serviu como base para o O Que É Isso, Companheiro? (filme), bem como no documentário "Hércules 56" de Ricardo Dá-Rin.
As operações armadas do MR8, com roubos, assaltos a bancos e supermercados, prosseguiram no Rio, bem como a repressão por parte do governo. Em 1971, o grupo passou a contar com a militância de Carlos Lamarca, já que a Vanguarda Popular Revolucionária (VPR), de Lamarca, tinha sido desmantelada pelo governo militar. Pouco tempo depois, Carlos Lamarca foi morto, na Bahia, ao tentar se refugiar dos militares com uma companheira do partido, Iara Iavelberg.
A maioria dos militantes se retirou para o Chile em 1972, sendo o grupo reestruturado posteriormente com outras orientações. A preferência por ações armadas deu lugar à atuação política, e o MR8 foi abrigado no MDB, tendo Orestes Quercia como principal liderança. O grupo passa a editar o periódico "Hora do Povo".
O MR8 continua atuando até os dias de hoje, junto a diversas organizações políticas, como corrente no PMDB, sindicais (inicialmente na CGT, atualmente na CGTB; e estudantis, tendo seus militantes participado de diversas diretorias da UNE. O seu braço juvenil é a Juventude Revolucionária Oito de Outubro (JR-8).
Atualmente, o MR8, diferentemente da ideologia do primeiro MR-8, i.e., o da década de 70, tem demonstrado afinidades com o regime cubano e com o atual presidente da Venezuela, Hugo Chávez.[carece de fontes]

[editar]Ideologia

O projeto político do MR8 tinha semelhança com as idéias da ALN e do PCBR. Diferenciava-se por, ao contrário da ALN, defender a necessidade da construção de um novo partido marxista e, numa crítica ao programa do PCB, indicar que o chamado "caráter da revolução" no Brasil deveria ser visto como "socialista", e não "democrático-burguês" ou de "libertação nacional". Os objetivos eram chamar a atenção dos meios de comunicação e provocar a libertação de militantes presos.

domingo, 3 de abril de 2011

Ligas camponesas


Entidade que organizava os camponeses em torno da luta pela reforma agrária, no sertão pernambucano. Uma das grandes lideranças da liga foi Francisco Julião Arruda de Paula.
Foi o movimento mais importante pela reforma agrária no Brasil até o golpe de 1964.

História

Na década de 1950 houve uma refundação das Ligas Camponesas, com alcance em vários estados brasileiros.A origem das Ligas remonta às antigas Ligas Camponesas da década de 1930, originárias da ação do Partido Comunista do Brasil no campo. Com a ilegalidade do Partido Comunista esses embriões das ligas foram aos poucos dissolvidas.
Em 1954 se formou no engenho Galiléia, da cidade de Vitória de Santo Antão, a Sociedade Agrícola e Pecuária de Plantadores de Pernambuco (SAPPP), com três fins específicos: auxiliar os camponeses com despesas funerárias — evitando que os camponeses falecidos fossem literalmente despejados em covas de indigentes ("caixão emprestado"); fornecer assistência médica, jurídica e educação aos camponeses; e formar uma cooperativa de crédito capaz de livrar aos poucos o camponês do domínio do latifundiário.
No engenho Galiléia trabalhavam cerca de 140 famílias de camponeses em regime de foro: em troca de cultivar a terra, deviam pagar uma quantidade fixa em espécie ao proprietário da terra. É importante frisar que esse engenho já se encontrava em "fogo morto", ou seja, inadequado para plantio de cana-de-açúcar.
A SAPPP, a princípio, aceita o apoio do proprietário do Galiléia e o convida para assumir um cargo de honra dentro do movimento. Advertido, entretanto, por outro proprietário da região, de que o movimento de proposta comunista teria finalidade política, o proprietário do engenho ordena que o movimento seja desfeito imediatamente, ameaçando os foreiros de expulsão e até de aumentar o valor do foro. Os camponeses decidem resistir, mas sabiam que isolados no campo não conseguiriam resistir por muito tempo. Resolveram, então, buscar apoio na cidade, encontrando na figura do advogado Francisco Julião o apoio e o respaldo jurídico que tanto precisavam.
Francisco Julião (que já havia se pronunciado a favor dos camponeses), institucionalizou a associação. No dia 1 de janeiro de 1955 a SAPPP passou a funcionar legalmente.
A imprensa rapidamente chamou a SAPPP de "liga", em associação aos movimentos da década de 1940. Em 1959 a SAPPP conseguiu a desapropriação do engenho. Enquanto isso, o movimento espalhava-se pelo interior do estado, e a vitória dos galileus estimulou bastante as lideranças camponesas a sonhar com uma reforma agrária. No início da década de 1960, as ligas já se espalhavam por 13 estados brasileiros, atigindo repercussão nacional e internacional.
Porém, com a instalação do regime militar em 1964 a reforma agrária não foi implementada, pois as principais lideranças das ligas foram presas e o movimento deixou de existir.