Uma aliança
anglo-
luso-
alemã, entretanto, insurgiu-se para evitar a união dinástica de
França e Espanha. Mesmo depois de reconhecer, em
Paris, Filipe V, "
tendo José da Cunha Brochado aceite o tratado de 18 de Junho de 1701, pelo qual Portugal se comprometia a guardar os direitos da França, com a promessa de um auxílio militar em caso de ameaça" (Veríssimo Serrão,
História de Portugal, v. V. p. 223), Portugal se viu impelido a repensar a sua posição.
Pedro II de Portugal anulou, em Setembro de 1702, o tratado com Luís XIV e, graças à intervenção do embaixador da Inglaterra
John Methuen, "
estabeleceram-se formas de cooperação que não eram ainda de aberta beligerância por parte de Portugal", e depois o país viu-se incluído em dois tratados: um de aliança defensiva com a Inglaterra e as
Províncias Unidas, outro de aliança ofensiva e defensiva com a rainha
Ana da Inglaterra,
Leopoldo I de Áustria e os Estados da Holanda. O documento foi assinado em Lisboa a
16 de maio de
1703. (op. cit. p. 224)
Aclamado rei da Espanha em
Viena a
12 de Setembro de 1703, o
arquiduque Carlos resolveu fazer do país a base de operações contra o seu adversário. Carlos III, como se intitulava, desembarcou em Lisboa em
9 de Março de
1704, recebido com fausto invulgar. Os generais ingleses e portugueses escolheram a fronteira da Província da
Beira como o melhor caminho para o arquiduque penetrar na Espanha. Antecedeu-o D. Pedro II, que, por
Santarém e
Coimbra, foi até à
Guarda, onde no início de setembro o recebeu. Decidiu-se atacar
Ciudad Rodrigo. A campanha ficou porém sem efeito, regressando os monarcas separadamente a Lisboa. O projecto comum saldara-se num fracasso, como narra Veríssimo Serrão (p. 227). No ano seguinte Carlos III deixaria Lisboa numa esquadra inglesa, para se fixar na
Catalunha. A morte de Leopoldo I, em
5 de maio, o obrigava a se aproximar da zona geopolítica da Alemanha, em especial do norte da
Itália. Acompanhou-o o
conde de Assumar na qualidade de embaixador. A sua partida alivou o Tesouro das grandes despesas com a manutenção de sua vistosa corte…
Comandavam a Beira e o Alentejo D.
António Luís de Sousa, 4º
marquês das Minas, e D.
Dinis de Melo e Castro, 1º
conde das Galveias, que atacou
Valência de Alcântara, rendida em
8 de maio de
1705, e logo depois
Albuquerque. O
conde de São Miguel libertou o
castelo de Marvão. O marquês das Minas retomou as praças ao norte do
rio Tejo, como
Salvaterra do Extremo,
Segura,
Zebreira,
Castelo Branco e
Monsanto. Viu ocupado o seu lugar no comando por D.
Fernando de Mascarenhas,
marquês de Fronteira. Na campanha de
1706,
Alcântara se rendeu a
14 de abril, foram caindo as terras da
Extremadura, e em
Castela a zona da Ciudad Rodrigo a
Salamanca.
Evitando a marcha por Talavera, o marquês das Minas seguiu por Penharanda que lhe abriu as portas da serra de Guadarrama e de Madrid, onde o exército português penetrou triunfante em
28 de Junho. O trono espanhol ficou à mercê do pretendente austríaco cujo nome, entretanto, não tinha qualquer ressonância nas populações, enquanto Filipe V recebia constantes socorros de além Pirineus e beneficiava, além disso, da realeza em exercício. As cidades de Castela voltaram a apoiar o partido francês. Com o inverno de 1706 ficou mais uma vez adiada a solução…
Na guerra, a França enfrentou ao mesmo tempo a
Áustria, a Inglaterra, Portugal e as Províncias Unidas. A luta caracterizou-se inicialmente por vitórias parciais francesas na Itália (1702) e na Alemanha (1703).
Houve pressão sobre o território francês, especialmente
Flandres e
Artois onde tropas inglesas e
holandesas, comandadas pelo
duque de Marlborough, capturaram praças fortificadas francesas, além de obterem vitórias em campo aberto, como em
Ramilles. Porém, uma das batalhas mais decisivas foi travada longe dali, em
Blenheim (1704), na
Baviera.
O partido dos
Bourbons acabou por sair vencedor. Os tratados de
Utrecht (
1713), de
Rastatt e de
Baden (1714) puseram fim ao conflito. O primeiro desses tratados contribuiu fundamentalmente para o crescimento do poderio marítimo e
colonial da Inglaterra.