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sexta-feira, 29 de abril de 2011

Mita

Forma de trabalho indígena compulsório utilizada na América hispânica à época colonial. De origem inca, herdado pelos espanhóis, geralmente era utilizado nas minas e nas grandes propriedades, particularmente nas regiões do Peru e do Alto Peru. Os espanhóis encarregavam os chefes das tribos de escolher homens para trabalhar em minas, geralmente distantes, durante 4 meses ou mais. Esses homens chamados de mitays recebiam um pagamento. Muitos morriam durante os tempos nas minas ou então eram atacados por outras tribos na volta á aldeia. Só saiam com autorização do colono. Nesta modalidade de trabalho o salário era irrisório e os índios eram escolhidos por sorteio. Com esse salário, tinham de comprar comida ali mesmo no armázem da mina ("tienda de raya"). Como o salário era muito baixo, os índios ainda ficavam devendo dinheiro ao proprietário e eram obrigados a continuar trabalhando para saldar suas dívidas.
Os "mytaios", como eram chamados aqueles que eram recrutados (geralmente índios) eram pagos e durante um certo período não podiam abandonar o trabalho a não ser que tivessem folga autorizada. Os mytaios eram forçados a percorrer quilômetros e a trabalhar arduamente na extração mineral, principal atividade econômica na América Espanhola.
As condições de trabalho eram insalubres, existindo muitas doenças pulmonares devido ao ar poluído e úmido. Eles não tinham casa enquanto trabalhavam nas minas, dormiam ali mesmo, no terreno da mina. O tempo de trabalho desde o sorteio era de cerca de 4 meses, pois depois desse tempo o organismo não aguentava mais tanto esforço. Logo, depois desse período, os índios retornavam para suas casas,quando conseguiam sobreviver.
Além da mita, que era uma forma espanhola de explorar o trabalho indígena, existiu também a Encomienda. A Encomienda era uma instituição responsável por autorizar colonos a explorar a mão-de-obra de uma ou mais comunidades indígenas, ou seja, era praticamente uma maneira "formal" de explorar o trabalho indígenas, no qual a força de trabalho era trocada pela catequese.

Encomienda

Forma de trabalho compulsório indígena, realizado nas zonas rurais, no qual a força de trabalho era trocada pela catequese. Devemos lembrar que naquela época a forma de trabalho escravo era proibida pela Igreja (para os não-negros). Ao receberem ensinamentos religiosos, a Igreja se contentava e dizia que eles estariam ganhando a catequese em troca de seu trabalho. Outro fato importante era que os índios não queriam ser evangelizados. Foi realizada principalmente na Colonização espanhola das Américas nos impérios Inca e Asteca, onde a oferta de mão-de-obra era maior e antes de ser substituída pela mita.
A encomienda também serviu como centro de aculturação e de evangelização obrigatória. Os indígenas eram reagrupados pelos encomenderos, os povos chamados "doctrinas", onde deviam trabalhar e receber o ensino da doutrina cristã a cargo generalmente de religiosos pertencentes a ordens regulares. Os indígenas deviam encarregar-se também da manutenção dos religiosos.
A "encomienda", em uma definição mais simples, era a entrega de um lote de indígenas sob a guarda de um fazendeiro, que era encarregado de protegê-los e pagar seus impostos à Coroa, que os usava como mão-de-obra.
As constantes denúncias frente aos maltratos dos indígenas por parte dos encomenderos e o advento da chamada catástrofe demográfica da população indígena, provocaram a crise da encomienda desde finais do século XVII, mas em alguns lugares chegou a sobreviver até o século XVIII. A encomienda foi sendo substituída por um sistema de escravidão aberta de pessoas sequestradas na África e levadas forçosamente para a América. A exploração do indígena na América espanhola se iniciou com a encomienda.